A situação de desabastecimento de medicamentos na rede pública de saúde do município de Simão Dias vem sendo reiteradamente confirmada por relatos de moradores, levantando suspeitas de irregularidades na gestão da assistência farmacêutica básica.
Dados oficiais indicam que a Prefeitura Municipal de Simão Dias empenhou, ao longo do exercício financeiro de 2025, o montante de R$ 1.806.572,17 para a aquisição de medicamentos. Apesar do volume expressivo de recursos públicos destinados à área, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) relatam a ausência contínua de remédios essenciais nas unidades de saúde do município.
Os números revelam que a escassez não decorre de falta de orçamento, mas apontam para uma possível falha administrativa e de gestão. Na prática, os valores empenhados não se convertem em abastecimento efetivo das farmácias básicas, comprometendo a continuidade do serviço público e violando o direito fundamental à saúde garantido pela Constituição Federal.
Relatos de munícipes reforçam a gravidade do cenário. Ana denuncia a inexistência, há meses, de medicamentos de uso contínuo para crianças com transtorno do espectro autista, como risperidona e valproato de sódio. Segundo ela, a justificativa apresentada é sempre a mesma: um novo processo licitatório que não se conclui. “Quem duvida, vá lá pessoalmente e confira”, afirmou.
Roberto relata que o sobrinho só mantém o tratamento porque a família é obrigada a comprar os medicamentos com recursos próprios. “Esse medicamento não poderia faltar”, desabafou. Já Lucilene resumiu o sentimento coletivo com uma pergunta direta e simbólica: “Cadê?”.
Diante dos fatos, a denúncia ultrapassa o campo da reclamação individual e passa a exigir resposta institucional. O cenário aponta para a necessidade urgente de apuração por parte dos órgãos de controle e fiscalização, além da adoção imediata de medidas que garantam o fornecimento regular de medicamentos e o respeito à população que depende exclusivamente da saúde pública em Simão Dias.