Incidentes envolvendo construtora que venceu licitação da ponte Aracaju–Barra acendem alerta sobre obra de R$ 840 milhões
Desabamento de passarela em Belém e falha estrutural em viaduto no Sul do país colocam Construbase no centro das atenções e reacendem questionamentos sobre o processo licitatório da segunda ponte
Por André Morais
Publicado em 09/03/2026 15:30 • Atualizado 09/03/2026 15:38
Dois incidentes recentes envolvendo a Construbase, empresa que lidera o Consórcio Coqueiros Aracaju vencedor da licitação da ponte Aracaju–Barra dos Coqueiros acenderam um alerta em torno de uma das obras mais caras da história recente de Sergipe. O consórcio foi declarado vencedor da concorrência para executar o projeto, estimado em cerca de R$ 840 milhões.
O caso mais recente ocorreu ontem, quando uma passarela desabou em Belém. O prefeito Igor Normando se manifestou nas redes sociais e afirmou que a prefeitura adotará medidas judiciais para responsabilizar a empresa.
Uma semana antes, outro incidente já havia colocado a construtora no centro das atenções. Em 28 de fevereiro, vigas metálicas de um viaduto em construção no km 193 da BR-470, na Serra das Antas, cederam durante a execução da estrutura.
Os episódios ocorrem justamente no momento em que a empresa se prepara para executar a ponte Aracaju–Barra dos Coqueiros, obra considerada estratégica para a mobilidade da Grande Aracaju, mas cuja licitação já vinha sendo alvo de questionamentos técnicos.
Documentos do processo licitatório mostram que o Consórcio Segunda Ponte, além de apresentar o menor preço da concorrência, também apresentou Certidão de Acervo Técnico da construção da Ponte Juscelino Kubitschek, obra reconhecida nacionalmente pela alta complexidade estrutural, composta por três grandes vãos livres superiores a 200 metros.
Já o Consórcio Coqueiros Aracaju, vencedor da disputa, apresentou duas Certidões de Acervo Técnico referentes à construção de pontes com apenas um único vão, estruturas tecnicamente mais simples e de menor complexidade quando comparadas a projetos com grandes vãos livres.
Na prática, o julgamento técnico acabou valorizando a quantidade de atestados, e não a complexidade das obras. O resultado foi a exclusão do consórcio que reunia, ao mesmo tempo, o menor preço e maior experiência técnica em obras de grande porte.
Diante desse cenário, cresce a pressão para que órgãos de controle, como o Tribunal de Contas e o Ministério Público, revisem com rigor o processo licitatório antes que a obra avance.
Para especialistas em gestão pública e infraestrutura, quando uma licitação elimina justamente a proposta mais barata e tecnicamente mais qualificada, o resultado levanta questionamentos inevitáveis.
Ou houve falhas graves na condução do processo, ou a disputa foi marcada por critérios que precisam ser profundamente revistos.
Nosso site usa cookies e outras tecnologias para que nós e nossos parceiros possamos lembrar de você e entender como você usa o site. Ao continuar a navegação neste site será considerado como consentimento implícito à nossa política de privacidade.