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Recuo de Armando Batalha expõe vácuo político e deixa grupo sem rumo para 2026
Por André Morais
Publicado em 04/02/2026 13:50 • Atualizado 04/02/2026 14:53
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A decisão do ex-prefeito e ex-deputado estadual Armando Batalha de não disputar nenhum cargo nas eleições de 2026 provocou mais do que surpresa: escancarou um vácuo de liderança dentro do grupo que ele próprio ajudou a construir. O anúncio, feito nesta segunda-feira, 3, encerra especulações sobre um possível retorno às urnas, mas também lança incertezas sobre o futuro político do clã Batalha.

Oficialmente, Armando alega que o afastamento é motivado por projetos profissionais e empresariais que exigem dedicação integral. Nos bastidores, porém, aliados avaliam que o recuo tem leitura política: o cenário não seria dos mais favoráveis, sobretudo após o deputado estadual Neto Batalha, seu filho, ter desistido da reeleição e, por consequência, desmontado a principal base de sustentação do grupo na Assembleia Legislativa.

Pai de Neto, Armando tenta manter discurso conciliador e afirma que continuará acompanhando a política, podendo indicar nomes e declarar apoio no futuro. Ainda assim, a fala soa mais como uma tentativa de preservar influência do que como garantia real de protagonismo num processo eleitoral que já começou nos bastidores.

“Gosto da política, sou um ser humano que tem a política na veia e, no momento oportuno, irei apresentar sugestões de nomes que possam receber o meu apoio. Neste momento, porém, vou focar nos meus negócios e no meu trabalho”, afirmou.

O problema é que o calendário eleitoral não espera. Sem Armando e sem Neto na disputa, o grupo entra em 2026 sem candidato natural, sem herdeiro político definido e sem um projeto claro. A decisão, tratada como pessoal, acaba tendo impacto coletivo: esfria militância, desmobiliza aliados e abre espaço para que adversários avancem sobre redutos antes controlados pelos Batalha.

A movimentação também desmonta o discurso recente de que Armando seria o “plano A” para a Assembleia Legislativa. A expectativa criada com o apoio público de Neto ao pai agora dá lugar a frustração interna e a questionamentos sobre se houve, de fato, viabilidade política ou apenas um ensaio mal calculado.

Ao optar pelo afastamento, Armando Batalha não apenas sai da disputa, mas empurra seu grupo para um limbo eleitoral. Em um cenário onde quem se antecipa sobrevive, o recuo pode custar mais do que uma candidatura: pode significar a perda de protagonismo de um projeto político que hoje parece sem rumo e sem comando.

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