O município de Nossa Senhora do Socorro já vive, nos bastidores, um clima de pré-campanha que promete incendiar o cenário político sergipano. A corrida por representação na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) deixou de ser apenas um projeto futuro e se transformou em uma verdadeira guerra silenciosa entre os grupos liderados por Samuel Carvalho (MDB), Clécia Carvalho (Podemos) e Padre Inaldo (PP).
Cada movimento, articulação e aliança tem sido calculado. O objetivo é claro: ocupar espaço político agora para influenciar diretamente o jogo eleitoral de 2028. Socorro, que historicamente sempre foi estratégica, passa a ser tratada como território decisivo no xadrez estadual.
Do lado situacionista, o prefeito já colocou suas cartas na mesa ao declarar apoio a Adilson Júnior como pré-candidato a deputado estadual. Com a força da máquina administrativa, o histórico de gestão e a estrutura do grupo governista, o nome desponta como favorito interno, mas também como alvo natural dos adversários que buscam enfraquecer o projeto antes mesmo da largada oficial.
Padre Inaldo, por sua vez, movimenta-se com cautela, mas com ambição. Assediado por diferentes legendas, entre elas o PT, ele aposta nos números de sua gestão como principal discurso eleitoral. Aliados vendem especialmente os resultados do setor habitacional como vitrine política, tentando reposicionar o ex-prefeito como alternativa competitiva ao grupo no poder.
Já Clécia Carvalho tenta romper a polarização tradicional. Após se consolidar como terceira via nas eleições municipais de 2024, ela busca transformar os mais de 11 mil votos obtidos na disputa pela Prefeitura em capital real para o embate estadual. A migração do PL para o Podemos não foi apenas partidária, mas estratégica: trata-se de ampliar musculatura e escapar da sombra dos grupos mais tradicionais.
Nos bastidores, a leitura é dura: ninguém quer apenas uma vaga na Alese. O que está em jogo é o comando político de Socorro no médio prazo. A eleição estadual virou ensaio geral para 2028, quando o município novamente será palco de uma disputa ainda maior.
Com três projetos fortes, interesses cruzados e egos em rota de colisão, Nossa Senhora do Socorro deixa de ser coadjuvante e assume o papel de protagonista em uma das batalhas eleitorais mais tensas e imprevisíveis dos últimos anos em Sergipe.