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Valmir volta ao jogo e ameaça o comando de Emília na oposição sergipana
Decisão do STJ que devolve direitos políticos ao prefeito de Itabaiana reabre disputa interna e coloca em xeque quem liderará a chapa ao Governo de Sergipe em 2026
Por André Morais
Publicado em 02/02/2026 09:09
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Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferida nesta quinta-feira, 30, devolvendo os direitos eleitorais de Valmir de Francisquinho (Republicanos), tem potencial para bagunçar completamente o tabuleiro da oposição sergipana para as eleições de 2026. Mais do que viabilizar o prefeito de Itabaiana, o gesto reacende uma disputa que vinha apenas latente: afinal, quem comandará a construção da chapa majoritária ao Governo do Estado — Valmir ou Emília Corrêa (Republicanos)?

Nos bastidores, os dois já protagonizavam um duelo silencioso — que, nos últimos meses, deixou de ser tão discreto assim. O embate por espaço e poder transbordou para o público e ganhou corpo na cena política. Emília ocupou o vácuo deixado por Valmir desde 2022, assumindo a condição de principal articuladora da oposição, centralizando decisões estratégicas como alianças, desenho de chapas e conversas sobre o Senado. Enquanto isso, Valmir, mesmo com capital eleitoral, passou a ser tratado como coadjuvante dentro do próprio grupo.

Esse arranjo, no entanto, passa a ser questionado a partir de agora.

A reviravolta veio com a decisão do ministro Luis Felipe Salomão, que concedeu efeito suspensivo ao recurso apresentado pela defesa do prefeito de Itabaiana. Na prática, ficam temporariamente sem efeito as decisões que tornavam Valmir inelegível, permitindo que ele volte oficialmente ao jogo político e, principalmente, à mesa de comando.

O processo envolve uma ação do Ministério Público de Sergipe sobre suposta improbidade administrativa no funcionamento do matadouro municipal de Itabaiana durante uma das gestões de Valmir. A ação havia sido julgada improcedente em primeira instância, mas o Tribunal de Justiça de Sergipe reformou a decisão, condenando o gestor à suspensão dos direitos políticos por quatro anos, além de multa e ressarcimento ao erário. A defesa, então, recorreu ao STJ.

Embora a matéria ainda será analisada pelo relator, o efeito suspensivo já produz impacto imediato — e não apenas jurídico, mas político. A oposição, que parecia organizada sob a batuta de Emília, agora vê ressurgir seu nome mais popular e eleitoralmente competitivo.

O que antes era uma liderança quase incontestável de Emília passa a ser uma incógnita. Valmir retorna não apenas como elegível, mas como potencial protagonista. E isso muda o equilíbrio interno, as alianças e até os planos que já estavam em curso.

A pergunta que ecoa nos bastidores é direta: Emília continuará comandando o processo ou Valmir retomará o posto de principal líder da oposição sergipana rumo ao Governo do Estado em 2026?

Com a decisão do STJ, a disputa deixa de ser silenciosa — e promete ser um dos embates políticos mais quentes do próximo ciclo eleitoral em Sergipe.

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