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Gestão vira trunfo eleitoral e muda o jogo em Sergipe
Com segurança em alta, obras visíveis e avanço na educação, Fábio Mitidieri transforma resultados administrativos em capital político e coloca adversários na defensiva em ano de eleição
Por André Morais
Publicado em 30/01/2026 09:13
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Em disputas eleitorais, o discurso pesa, mas a realidade costuma pesar mais. Estudos sobre comportamento do eleitor mostram que governos são julgados menos por promessas e mais por resultados concretos: serviços públicos, segurança, emprego e qualidade de vida. Quanto mais perceptível é a ação do poder público no cotidiano, maior tende a ser a aprovação espontânea. Em Sergipe, esse fenômeno ganha contornos claros: o governador Fábio Mitidieri (PSD) chega ao ano eleitoral tendo a própria gestão como seu principal cabo eleitoral.

Não se trata apenas de narrativa política. Há números e entregas que ajudam a explicar por que o cenário se tornou favorável ao Palácio dos Despachos. Na segurança pública, por exemplo, Sergipe foi reconhecido pelo terceiro ano consecutivo como o estado mais seguro do Nordeste, segundo dados oficiais do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. A redução das Mortes Violentas Intencionais atingiu os menores níveis da série histórica, acompanhada da queda contínua nos homicídios. O estado também avançou no ranking nacional de segurança, passando a figurar entre os primeiros colocados um contraste evidente com o passado recente, quando Sergipe era associado a estatísticas negativas.

O impacto não é apenas simbólico. Segurança interfere diretamente na vida econômica e social, influenciando desde o turismo até a atração de investimentos. E é justamente nesse ponto que outro indicador entra no jogo político: no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), Sergipe lidera o Nordeste em infraestrutura e aparece entre os destaques nacionais na qualidade das rodovias. A recuperação da malha viária e os investimentos em logística e mobilidade deixaram de ser pauta técnica e passaram a ser argumento eleitoral, com reflexo no escoamento da produção e na integração regional.

Na educação, o governo também construiu um ativo político. A expansão das escolas em tempo integral saltou de pouco mais de 70 para mais de 140 unidades espalhadas por dezenas de municípios. O modelo, além de ampliar a permanência do aluno na escola, dialoga com uma agenda social sensível ao eleitor: proteção, formação e oportunidade.

O efeito colateral desse cenário é político. Com resultados mais visíveis, o debate deixa de ser apenas ideológico e passa a ser comparativo. A oposição, que tradicionalmente aposta no desgaste natural de governos, agora enfrenta um ambiente menos favorável ao discurso do “tudo está errado”. Mitidieri, por sua vez, passa a disputar menos no campo das promessas e mais no terreno das entregas.

 

No tabuleiro eleitoral de Sergipe, a gestão deixou de ser apenas administrativa para se tornar protagonista. E, em ano de eleição, quando obras, índices e serviços falam mais alto que slogans, o governador transforma números em narrativa e narrativa em vantagem política o que explica por que, nos bastidores, adversários já tratam o atual governo não só como gestor, mas como o principal player do jogo.

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