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Isolado no próprio grupo, Rodrigo Valadares enfrenta resistência para ser o nome da direita ao Senado
Controle do PL, influência dos Amorim e recuos da prefeita Emília Corrêa criam ambiente hostil contra o deputado, mesmo com apoio direto de Bolsonaro
Por André Morais
Publicado em 27/01/2026 16:23
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A situação do deputado federal Rodrigo Valadares (UB) dentro do agrupamento da prefeita Emília Corrêa (Republicanos) se tornou delicada desde que ele assumiu o controle do PL em Sergipe, escanteando os irmãos Amorim. Insatisfeitos com a mudança e, sobretudo, com a forma como deixaram a sigla, os ex-dirigentes passaram a manter o parlamentar na mira constante, criando um ambiente de isolamento político nos bastidores.

O que antes era apenas leitura política passou a ser tratado como fato nos corredores do poder. Rodrigo, embora hoje seja apontado como o principal nome da direita sergipana, com apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro e de figuras do seu entorno, enfrenta resistências internas para se consolidar como pré-candidato ao Senado pela oposição. Sua permanência efetiva no bloco ainda depende de uma discussão mais ampla, prevista para março, mas já há clara rejeição, atribuída à forma como ele passou a conduzir o PL após assumir o comando da legenda.

Segundo informações de bastidores, o cenário se agravou após articulação dos irmãos Amorim que, conforme denúncias feitas por parlamentares da oposição, como Elber Batalha (PSB), exercem forte influência sobre a gestão municipal, a ponto de praticamente comandarem a prefeitura. Diante disso, Emília teria abandonado o discurso inicial e deixado uma das vagas ao Senado em aberto, movimento que desagradou setores mais conservadores do seu grupo, justamente os que acompanham Rodrigo.

O incômodo já não é apenas interno. Recentemente, o próprio deputado sinalizou publicamente que algo não vai bem. Em declarações à imprensa, Rodrigo afirmou que o grupo político que venceu as eleições de 2024 não pode “deixar soldados para trás”. A fala foi interpretada como recado direto à prefeita e ao núcleo duro da gestão.

No mesmo contexto aparece o vice-prefeito Ricardo Marques, que já rompeu com o grupo de Emília Corrêa após ver seus espaços políticos e funções administrativas esvaziados dentro da gestão e do bloco. O episódio reforça a percepção de que, dentro do agrupamento vencedor, quem não se enquadra na nova lógica de poder acaba sendo empurrado para fora.

 

Nos bastidores, a pergunta que cresce é simples e incômoda: como o principal nome da direita em Sergipe, com chancela de Bolsonaro, pode estar sendo tratado como peça descartável dentro do próprio campo político que ajudou a construir?

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